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Beca Psi Rebeca Ambrósio

Mãe suficientemente boa: quando a culpa não precisa ser sua companheira

Um convite para mães de crianças pequenas que se sentem culpadas por não dar conta de tudo. Uma conversa sobre a mãe suficientemente boa, pedir ajuda e cuidar de si.

· Rebeca Ambrósio

Se você é mãe de uma criança pequena, talvez conheça bem a sensação de estar sempre devendo algo. A casa, o trabalho, o parceiro, a alimentação, o sono, as brincadeiras, as atividades da escola. E, no meio disso tudo, uma voz que sussurra: você não está dando conta.

Eu quero começar dizendo que essa voz não é um defeito seu. Ela costuma aparecer quando a gente carrega uma expectativa enorme de dar conta de tudo, como se fosse possível. E a culpa vem junto, como se fosse uma prova de que você não ama o suficiente. Mas não é.

A mãe suficientemente boa não é a perfeita

O termo "mãe suficientemente boa" foi cunhado pelo psicanalista inglês Donald Winnicott. Ele falava que não precisamos ser perfeitas para oferecer um cuidado saudável. A mãe suficientemente boa é aquela que acerta e erra, que está presente e também falha, e que, ao falhar, permite que a criança aprenda a lidar com a frustração. Parece estranho, mas é justamente na imperfeição que a criança encontra espaço para se desenvolver.

Quando a gente se cobra perfeição, a culpa vira uma companheira constante. E a culpa não ajuda a cuidar melhor; ela só cansa. Cansa a ponto de a gente não conseguir estar presente nem nos momentos bons, porque a mente está sempre no que falta.

Pedir ajuda também é cuidar do filho

Muitas mães sentem que pedir ajuda é um sinal de fraqueza ou de que não amam o suficiente. Mas pedir ajuda é um ato de cuidado com a criança. Quando você permite que outra pessoa cuide do seu filho por um tempo, você está ensinando que é seguro confiar em outras pessoas. E está cuidando de você, para que possa continuar cuidando dele.

Ajuda pode ser uma rede de apoio: uma avó, uma amiga, uma vizinha, um grupo de mães, uma profissional. Não precisa ser grandioso. Pode ser uma tarde por semana, uma hora para tomar um café sem pressa, uma conversa que alivie o peso.

A culpa não define você

A culpa é um sentimento, não um veredito. Ela pode até apontar para algo que você gostaria de mudar, mas não precisa se transformar em uma sentença de que você é uma mãe ruim. Você pode olhar para a culpa com curiosidade: o que ela está tentando me dizer? Às vezes, ela só está repetindo uma cobrança antiga que nem é sua.

Se a culpa tem sido intensa e constante, e você sente que está difícil dar conta do dia a dia, procure ajuda. No Brasil, o CVV (188) oferece apoio emocional gratuito, 24 horas por dia. E a psicoterapia pode ser um espaço para entender o que está por trás dessa culpa e encontrar formas mais leves de viver a maternidade.

Eu não acredito em fórmulas prontas ou em listas de dicas que funcionam para todo mundo. Cada mãe, cada criança, cada família tem sua história. Mas acredito que ninguém precisa atravessar isso sozinha.

Se você se identificou com essas palavras, que tal conversarmos? Estou aqui para ouvir, sem julgamentos, no seu tempo. Você pode me chamar para uma conversa inicial e a gente vê juntas o que faz sentido para você.

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